PUuUESiA: Futura, Poesia Sonora





esta semana:
Futura - Poesia Sonora


Tendo surgido em 1909 pelas vias de comunicação oficiais, ou seja, mostrando o seu rosto de palavras livres no jornal “Le Figaro”, o Futurismo assume-se como a primeira grande vanguarda artística do século XX, recolhendo ou rebatendo as linhas de força de grupos literários e pictóricos anteriores. Põem em movimento – e esta será não só uma palavra-chave do próprio grupo, como dará o mote para toda a Europa e o mundo ocidental ainda hoje, movimento, movimento, aceleração, o sempre novo – um ponto de não-regresso. Depois deles já não há regresso e com eles marchou-se para o que vinha, passando por cima de qualquer passadismo – só cá em Portugal se acendeu o Saudosismo, essa mística, essa espécie de messianismo, embora Teixeira de Pascoaes tenha o que se lhe diga. E pondo-se em movimento rápido passou fronteiras; as palavras em liberdade saltaram para as capitais cosmopolitas, Paris, Moscovo, até passou férias por aqui.
O seu desejo era a inovação e, mormente, a máquina, os mecanismos, as roldanas, as manivelas, as rodas, as molas, os barulhos dos tráfegos, dos motores, o claquear dos sapatos, os gritos, os ruídos. Umas vezes lúcido, outras pura loucura, o Futurismo proposto por Marinetti procurava libertar o indivíduo “totalmente dinamizando o seu eu através da intensificação do desejo e da multiplicação da sua capacidade criadora” (Lista in Marinetti, 1995: 9), tinha na sua raíz uma tendência anarquista mesmo, contudo o sentido patriótico bastante comum ao seu fundador no rescaldo da unificação da Itália leva-o a simpatizar com o fascismo e Mussolini. Na Rússia o caso foi semelhante, tendo os futuristas eslavos aproximado e deixados envolver pela revolução acabando por serem traídos – Maiakovski teve a lucidez de se matar nesse preciso instante. Mas retenhamos a sua força, o apelo reivindicativo, a transformação da vida, “[a] vanguarda só é para ser vivida e, neste caso, a obra começa com o comportamento, que não pode ser separada do resto. De outro modo ficar-nos-emos pela literatura, situando-nos no interior de uma instituição burguesa para analisar de um modo crítico os que quiseram, precisamente, colocar-se noutro sítio” (ibid.: 10). O Futurismo é, portanto, uma acção e um modo de vida; ou nas palavras do seu fundador:

“1. Queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade
Os elementos essenciais da nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
Como a literatura até hoje enalteceu a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo da ginástica, o salto perigoso, a bofetada e o murro.
(…) 6. O poeta tem de se multiplicar com calor, centelha e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiasta dos elementos primordiais.
7. Só na luta ainda há beleza. Não existe obra-prima sem um carácter agressivo. A poesia deve ser um assalto violento contra as forças desconhecidas, para as intimar a deitar-se perante o homem.”






FUTURIST DECLAMATION: 01. F.T. Marinetti: Battaglia, Peso + Odere (1912)/ 02. F.T. Marinettei: Dune, parole in liberta (1914) / 03. Francesco Canguilo: Il Sifone d'Oro (1913) / 04. Giacomo Balla: Discussione sul futurismo di due critici sudanesi
(1914) / 05. Giacomo Balla: Macchina Tipographica (1914) / 06. Giacomo Balla: Paesaggio + Temporale (1914) / 07. Giacomo Balla: Canzone di Maggio (1914) / 08. Giacomo Balla: Funerale a piazza Termini (1918) / 09. Giacomo Balla: Il pigro (c. 1920) / 10. Giacomo Balla: L'annoiata (c. 1920) / 11. Fortunato Depero: Tramvai (1916) / 12. Fortunato Depero: SiiO VLUMMIA - torrente (1916) / 13. Fortunato Depero: Verbalizzazione astratta / Di signora (1916) / 14. Farfa: Tuberie (1937) / 15. Farfa: Sincopatie - Innazi al - Le Rondini Apersi - Il Mattino - Luna Erotomane (1933) / 16. Farfa: Affaraffari (1947) / 17. Farfa: Veni Vidi Viti (1937)

'ZAUM', TRANSMENTAL LANGUAGE: 18. Vladimir Majakovskij: Rumori, Rumorini, Rumoracci (1913) / 19. Vladimir Majakovskij: Di Strada in strada (1913) / 20. Vladimir Majakovskij: Ordinanza all'esercito dell'arte (1918) / 21. Velemir Chlebnikov: Bobeobi (c. 1908) / 22. Velemir Chlebnikov: Esorcismo col riso (1908) / 23. Velemir Chlebnikov: Il Linguaggio degli dei (from Zanzegi) (1922) / 24. Velemir Chlebnikov: Il Linguaggio delle stelle (from Zanzegi) (1922) / 25. Vasilij Kamenskij: L'Usignolo (1916) / 26. Aleksej Krucenych: dyr bul scyl (1912) / 27. Aleksej Krucenych: Kr dei macelli (1920) / 28. Aleksej Krucenych: Zanaera, veleno (1922) / 29. Il'ja Zdanevic: Scena da "Asino a nolo" (1918)