Alone Together, de Sherry Turkle. #acervo | um livro sobre solidão, amor, robots, e redes digitais



Sherry Turkle é uma socióloga prudente. Estuda há muito tempo as relações entre as pessoas e os robots, e não é de ânimo leve que fala agora de uma transformação fundamental nessa conversa muito antiga entre os que respiram e os que não vivem. Há um momento em que os robots se tornam sociáveis, programados com o objectivo de confirmar, ou espelhar, as emoções que são por enquanto só dos que têm corpos, dos que conhecem o suor, a dor e o amor, dos que temem a morte e celebram os nascimentos.

Mas essa transformação é um duplo fingimento: à carência afectiva que as máquinas simulam cada vez melhor responde a vontade humana de fazer de conta. Os mais crentes são os muito novos, os muito antigos, e os vendedores. Para as crianças, os robots já são reais o suficiente para serem incluídos no mundo. Para os idosos, a ténue presença robótica é por vezes melhor do que os vários tipos de solidão humanista. Para a indústria, mais é sempre melhor.

Atenta, Turkle coloca as perguntas certas. Onde falhou uma família, para que uma criança se confesse sem reservas a um amigo feito de electricidade? O que é ser uma adolescente apaixonada no século vinte e um? Como funciona uma sociedade em que os antigos vivem apenas entre si? As respostas são contadas nas muitas entrevistas e pesquisas de que o livro é feito, narradas por uma mulher informada e sincera, crítica dessa versão do futuro em que, nas palavras de outro sociólogo, o verdadeiro é um momento do falso.