CODE/SPACE: Software and Everyday Life ] #livros


O futuro, o que não aconteceu, era repleto de virtualidade, solidão, e metal. O que aconteceu foi o inverso, os programas digitais irromperam no mundo físico, materializados, socializados, integrados. Dotados do que os académicos hoje chamam agência, mas a que os historiadores por nascer chamarão simplesmente o princípio.

As cidades não são as mesmas e esta não é a primeira vez que uma imaterialidade se entrelaça assim com o espaço e com as coisas: como o carvão, o vapor e a electricidade, o código digital quer ser omnipresente. É omnipresente. É gerido no espaço e produz espaços, aeroportos, amigos, situações e relações que só fazem sentido porque mediadas por esta linguagem, estes programas.

O código regula, cria, e opera.

A matriz nasceu da improvável negociação entre matemáticos e militares, o fruto quase acidental dessa amizade ambígua chama-se século vinte e um. Se fosse uma invasão alien já teríamos perdido, mas não é, isto de pôr as coisas a falar entre si é na verdade uma actividade humana muito antiga, é uma maneira de ocupar os lugares, um método de classificação, uma forma de construir e ouvir o planeta.

Chama-se "Code/Space: software and everyday life", Rob Kitchin e Martin Dodge