CINEMA E ANARQUIA #video

Na edição da Feira do Livro Anarquista de 2012, que terminou no passado Domingo, contou com um espaço de "Cinema e Anarquia".
Num primeiro momento exibiu-se filmes mudos realizados pela cooperativa anarquista de Cinéma do Peuple na década de dez em França.


As Misérias da Agulha



"Raphäel Clamour, ator e diretor artístico da cooperativa, procurava uma actriz para estrelar a primeira produção da Cinéma du Peuple, As misérias da agulha. O papel de Louise, costureira e tecelã que, devido à morte de seu marido, tenta suicidar-se, por razões econômicas, juntamente com seu filho, deveria emocionar. Entre as atrizes dos elencos dos teatros Châtelet e Odéon, Clamour reparou em uma jovem, Jeanne Roques, que mais tarde se tornaria conhecida pelo nome de Musidora, e que, em As misérias da agulha, faz sua primeira aparição no cinema. O tema deve ter agradado a ela, pois era bastante próximo de suas preocupações familiares: Jeanne Roques era filha de Marie Clémence, grande batalhadora da causa feminista. Lina Clamour, do Moulin Rouge, Gaget e Michelet, do Châtelet, e Armand Guerra, do Grande Teatro de Barcelona, também fizeram parte do elenco. É o primeiro filme da história do cinema francês que valoriza os operários e os convida a se organizar por si próprios."

O Velho Doqueiro


"Última produção da Cinéma du Peuple, Le Vieux docker descreve a vida difícil de um velho operário que, depois de trinta anos de trabalho e de leais serviços, é despedido. O filme representa um testemunho de solidariedade para com o anarquista Jules Durand, secretário dos trabalhadores do porto do Havre, preso a 15 de setembro de 1910, depois de uma briga em que um homem foi morto. Ele foi condenado à pena capital, mas como se revelou inocente, e a pena foi comutada para sete anos de reclusão. Depois disso, ele perde a razão e, no início de 1926, com 46 anos, é internado num hospital psiquiátrico. Seu advogado, René Coty, foi posteriormente presidente da República. O roteiro é de Yves-Marie Bidamant, chefe de estação no Havre, e Charles Marck, doqueiro na mesma cidade. Além de dirigir o filme, Armand Guerra interpretou o papel de Durand"


Também foram exibidos dois filmes do início do século XX que denunciam o anarquismo.

A Terrorista



"Reconstituição de um atentado cometido por uma anarquista russa. Um grupo de anarquistas fomenta o projeto de atentado contra o czar executado por uma mulher. O veículo em que se encontrava o czar explode. A criminosa é detida e conduzida à prisão. A viúva do czar, acompanhada por seus dois filhos, visita a anarquista que, arrependida, pede perdão. Condoída, a imperatriz toma seu lugar na cela, e a anarquista escapa da prisão vestindo o manto imperial. Ela chega ao local onde se reúne o grupo anarquista, uma discussão irrompe e uma bomba explode"

O Assassinato do Ministro Plehve



"Reconstituição, nos estúdios da Pathé em Montreuil, do assassinato do ministro Plehve por um estudante chamado Sasanoff (ou Sasonoff) e que teve lugar em São Petersburgo, a 29 de julho de 1904."