UMA EXPLICAÇÃO DA CRISE DO SUBPRIME A PARTIR DAS MULHERES DA #JPMORGAN

 Gillian Tett | Blythe Masters | Terri Duhon


Tudo começou em Junho de 1994 num fim de semana em Boca Raton na Florida onde um grupo de jovens bancários da JP Morgan - Departamento de Global Delivery,  se encontrou para aquilo que seria uma oportunidade criativa para juntar os jovens inovadores e discutir uma variedade de tópicos. A principal questão era resolver um problema antigo do sistema bancário:  Como reduzir os riscos do crédito? Como transformar a actividade de empréstimos menos arriscada?
A hipótese avançada pelos jovens funcionários da JP Morgan em Boca Raton foi separar o risco do empréstimo do próprio, criando Credit Default Swaps (CDS), um mercado derivativo que assegura as possibilidades do empréstimo falhar e desse modo o banco fica resguardado do mesmo.
A criação das CDS alargou as o possibilidades de endividamento dos bancos no financiamento da economia.
Desse modo, os bancos não só estão salvaguardados dos empréstimos que fazem, como ainda podem negociar no mercado derivativo os riscos desses mesmos empréstimos: se vai ser cumprido ou se falham.

Gillian Tett foi a primeira a relatar o que se passou em Boca Raton alertando para os perigos dessa revolução financeira e a antecipar a crise de 2008. Doutorada em Antropologia Social por Cambridge, jornalista do Financial Times e autora de Fool's Gold: How Unrestrained Greed Corrupted a Dream, Shattered Global Markets and Unleashed a Catastrophe , Gillian tornou-se um verdadeiro icon após a eclosão da crise. more

A primeira operação financeira de Credit Default Swaps foi liderada e desenvolvida por Blythe Masters, envolvia a comanhia petrolífera Exxon.
Credores do empréstimo e 4.8 bilhões de dolares à Exxon, a JP Morgan viu-se na necessidade de proteger-se da eventual consequência das indemnizações ambientais a pagar pelo acidente do petroleiro Valdez no Alasca e vendeu o risco desse empréstimo ao Banco Europeu de Desenvolvimento e Reconstrução.



Em 1998 destaca-se outro elemento da JP Morgan: Terri Duhon que foi a grande responsável pela BISTRO BUSINESS, que não foi mais do que alargar a opção dada à Exxon a todo o mercado de empresas, chamando também o mercado a investir no portfólio de empréstimos da JP Morgan. Esse mercado de derivativos foi fateado consoante o risco que o seguro de cada empréstimo oferece, constituindo vários escalões.

Muito em breve, todos os bancos e agente financeiros começaram a investir no mercado derivativo através de CDS. Mais importante de tudo,é que se tornou um mercado privado ao abrigo das entidades reguladoras. Em lado nenhum encontramos publicações sobre esse mercado, o valor dos seguros dos empréstimos, etc.; e assim os spreads fixados pelos bancos são ilimitados..
Este tipo de aplicações financeiras alastrou-se para hipotecas imobiliárias,  dívidas de estados, etc.
Desiree Fixler, uma "F9 Model Monkey" da JP Morgan descreve desta forma o delírio em torno do funcionamento do mercado de derivativos:

"... When credit derivatives were still young, the Financial Times called people like us the 'F9 model monkeys', after the key you press to get the algorithm to tell you how things are going; what the value is of your portfolio. 'Monkey' alluded to the fact that some of us didn't understand what the algorithms did.
"In the years before, we'd know in our heads to within a few thousand what profit or loss we'd made for the day, then press F9 and have it confirmed by our systems. When the crisis hit we would press F9 and get a number that was totally unexpected. We'd ask: how can we have lost so much money? What happened?


Já uns anos antes do rebentamento da crise, a JP Morgan apenas investia moderadamente nos Credit Default Swaps pois, como seus criadores, reconheceram os perigos.
A Goldman Sachs, por sua vez, ofereceu aos seus clientes uma carteira de empréstimos que sabia de risco demasiado elevado.  Depois de vender CDS desses empréstimos aos seus clientes, a Goldman Sachs investiu no mercado em como esse empréstimos seriam falhados. Enganou os seus clientes e foi desse modo que ajudou á instalação da crise enquanto ganhava lucros astronómicos.