A SOMBRA DO QUE FOMOS #chile #history #livros



Um romance que espelha os homens carecas, gordos, velhos e desempregados que (mal) sobreviveram ao exílio e que em tempos já foram personagens principais das narrativas da acção revolucionária até ao golpe militar de 11 de Setembro de 1973.

« Respostas satisfatórias. Lembro-me da Matilde na universidade, era bastante comestível. E isso da paixão francesa como se interpreta? Trocou-te por um franciú? A honra pátria foi maculada? A mim roubou-ma um bósnio. Explico-me: a tragédia dos chilenos deixou de comover quando se acabou a ditadura e, a partir da guerra dos Balcãs, os bósnios transformaram-se nos reis do mambo.»

Em A Sombra do que Fomos encontramos referências a várias personagens e movimentos revolucionários:

Buenaventura Durruti - Conhecido anarquista, fugiu para a América do Sul após o seu grupo - Los Justicieros - ter assassinado o cardeal de Zaragoza. Em 1925, juntamente com Francisco Ascaso e Gregorio Jover, assaltou a sucursal Matadero do banco do Chile em Santiago naquele que seria o primeira acção do género no país. O assalto foi notícia por todo o país e num depoimento jornalístico um caixa do banco referiu que nunca sentiu medo e que «aqueles tipos lhe tinham inspirado mais confiança que os clientes habituais do banco.»

Vanguarda Organizada do Povo - Movimento revolucionário insurreccional que congregava insatisfeitos do MIR e de outros grupos. Diz-se que era constituído por anarquistas, delinquentes, comunistas, ladrões, todos ciosos de acção directa. Em 1971 assassinaram o ex-ministro do interior chileno Edmundo Zojovich, principal responsável pelo massacre de Puerto Montt de 1969 em que as forças polícias mataram dez populares durante o desalojo de um terreno.


Ejercito de Liberacion Nacional (CERRITO) - Constituído para apoiar a luta de Che Guevara na Bolívia contava com uma secção chilena. 

MIR - O Movimiento de Izquierda Revolucionaria do Chile foi fundado em 1965 a partir de um grupo de estudantes universitários. É de vocação marxista-leninista e optou pela luta armada. Durante  a presidência de Allende pousou as armas e voltou a ter destaque na clandestinidade durante a ditadura de Pinochet. Ainda existe.



Frente Patriótica Manuel Rodriguez - "Os rapazes que não deram um dia de paz a Pinochet" surgem em 1983 como braço armado do Partido Comunista do Chile. Hoje em dia é independente do Partido.