WAR IN THE SHADOWS OF THE CITY OF LIGHT #livros #lisboa #history




                                               "Numa reunião com os diplomatas britânicos Eccles e Campbell,  Salazar informou-os que os americanos eram um 
 «povo bárbaro iluminado não por Deus mas pela luz eléctrica»"

O mais importante enfoque de Lisbon: War in the Shadows of the City of Light, 1939-45 do Professor Neill Lochery é a figura de Salazar, e os seus ofícios geopolíticos para manter Portugal afastado da Guerra.

Esses ofícios tiveram como principal objectivo permitir a Portugal negociar com os dois lados da guerra, encaixando o maior número possível de vantagens financeiras.
Tanto para os Aliados como para os Países do Eixo, em especial a Alemanha, Portugal exportava volfrâmio, ingrediente essencial para a industria militar na construção de blindagem.

Portugal passou de um défice comercial de 40 milhões de dólares em 1937 para um excedente de 68 milhões de dólares em 1942.
Estima-se, através da inteligência dos serviços secretos dos Aliados, que no fim da guerra Portugal detinha 400 milhões de dólares em barras de ouro depositadas no Banco de Portugal ou em outros locais a seu cargo.
Neil Lochery interroga-se das razões da não utilização de tamanho stock em ouro para melhorar as condições de vida dos portugueses no pós-guerra.

Em 2000 a BBC denunciou como a igreja católica usou parte do ouro guardado para financiar as obras da reconstrução do Santuário de Fátima. Entre 1982 e 1986 a igreja católica vendeu lingotes de ouro com a marca Reichbank e respectiva suástica:

« Numa revelação vergonhosa, a Igreja católica foi obrigada a admitir que as obras de reconstrução do santuário católico de Fátima (a norte de Lisboa) tinham sido pagas com barras de ouro dos nazis que a igreja adquirira misteriosamente ao Banco de Portugal»
p.21


As suspeitas são de que o ouro com que os nazis adquiriram o  volfrâmio provinha do saque aos países ocupados pelo III Reich e da fundição de ouro pertencente a judeus detidos (a partir de dentes, relógios, joias, etc).

A partir do que a BBC apelidou como «o maior roubo da história», realizaram-se várias investigações: « The Not So Neutrals of Worl War II», NY Times; «Investigative Reporters, The National Archives adn the Search for "Nazi Gold" and other Treasures» do National Archives; «Nerutral Nations Kept Nazi Forces Going» do LA Times.

 

De resto a narrativa histórica acompanha-nos pelo que seria a Lisboa dos espiões durante a Segunda Guerra; e em especial das personagens que envolviam o circulo de Salazar:


Agostinho Lourenço - O Capitão Renault de Lisboa, director da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado;

Barão Oswald von Hoyningen - Huene- Embaixador da Alemanha em Lisboa quase até ao fim da guerra. A sua ligação a Salazar e às mais importantes famílias da capital permitiram-lhe o exílio em Lisboa no pós-guerra até à data da sua morte;

Ricardo Espírito Santo - Principal amigo e conselheiro económico de Salazar. Negociava com os dois lados da guerra e utilizou algumas intimidades diplomáticas para ficar de fora da lista negra dos aliados para o pós-guerra. Foi anfitrião da estada dos Duques de Windsor durante parte do período da guerra.

Moses Amzalak - Professor e principal dinamizador da comunidade judaica de Lisboa. A amizade com Salazar permitiu-lhe instalar na cidade as organizações de apoio aos exilados judeus que fugiam da Alemanha nazi.

Passa-se muito por estas personagens e pelo impacto dos refugiados, espiões, diplomatas por Lisboa:

"Vestidas com calças informais, as mulheres refugiadas frequentavam as esplanadas de bares onde anteriormente só entravam homens. À noite saíam amiúde sozinhas, sem chapéu, o que na sociedade lisboeta era a marca de uma prostituta"
p.53

 Já editado em vários países, o livro tem múltiplos reviews: