Fernando Machado Silva: Primeira Viagem


"O núcleo forte dos poemas deste primeiro livro do Fernando (porque me parece que ele poderia ter retirado alguns, poucos, sobretudo do início), são aqueles, a grande maioria, em que os versos, com uma sintaxe ao “ritmo do coração”, se estendem em aparente prosa, com sobressaltos como o da mulher “com olhos de horizontes distorcidos” que, não fossem os “ataques epilépticos da cadela” e mais umas tantas infelicidades, “por pouco era feliz”. Há nestes poemas o quotidiano melancolicamente observado, mas há sobretudo o seu de ficar só, com o horizonte cortado pela ausência da amante, ausência real ou imaginária, mas sempre e só dele, como quando “enforcava os meus dias entrançando os cabelos” e a única saída que vislumbra para começar de novo é “talvez deixar a porta aberta” – embora ele bem saiba que “a dor é uma propriedade privada”."

Carlos Alberto Machado, AQUI