OUTRO REGRESSO DE AYN RAND #paulryan #aynrand


 Why do we need anyone if we have our-self?

A nomeação de Paul Ryan para vice-presidente do candidato Mitt Romney contituiu um reforço na campanha deste último.
Na última campanha presidencial, o Partido Republicano tinha tentado o mesmo efeito com a nomeação de Sarah Palin, o que veio a provar-se como um tiro no escuro.

Nesta campanha as posições invertem-se, o bobo é mesmo O candidato, e a redução do impacto das gaffes, da má preparação e desconhecimento dos assuntos por parte  Mitt Romney assenta nas atribuições intelectuais e coerencias de Paul Ryan.

Nas últimas duas semanas, os espaços editoriais dos jornais de referência dedicados à campanha republicana dedicam mais texto a Paul Ryan do que ao candidato presidencial. Constroem a sua biografia, falam da sua infância, família, dedicação ao trabalho, devoção católica e dos seus referências filosóficas.

Referencial filosófico é algo que nunca ninguém ousaria apontar a Mitt Romney, mas Paul Ryan tem-no, é a Ayn Rand e o seu objectivismo.

Apesar de desconhecida da generalidade dos leitores europeus, Ayn Rand é uma autora incontornável nos Estados Unidos, em especial nos sectores ultra liberais.

Nascida na Russia, Ayn Rand emigrou para os Estados Unidos no anos 20. Começou por escrever argumentos para Cecille DeMille até que em 1943 publicou o seu primeiro romance: The Fountainhead.


O livro retrata a história de Howard Roark, um arquitecto que pretende erguer o seu conceito de arranha céus independentemente das pressões económicas e/ou populares.

A narrativa de The Fountainhead denuncia o Objectivismo da autora, um novo código moral onde o Homem se liberta de qualquer influência política e religiosa. 
Esse novo homem liberto deverá guiar-se apenas pelos seus desejos, de forma egoísta, transformando-se numa figura heroica e usufruindo de plena felicidade.

Para Ayn Rand, o Laissex Faire Capitalism é o único sistema social que defende os interesses e liberdades dos cidadãos.


Em pleno New Deal (no pós crise de 1929), e com uma economia próspera a partir do fim da segunda grande guerra, as ideias de Rand não tiveram grande acolhimento na sociedade norte-americana.

Já em New York, a autora criou um grupo de fieis seguidores, que por ironia se auto-denominavam The Colective. Desse grupo destaca-se a presença de Alan Greenspan.
Em reuniões semanais ouviam a autora declamar os mais recentes textos do seu futuro romance Atlas Shrugged.



O livro ataca o altruísmo como principio organizacional da sociedade. Numa sociedade de total governo do estado; artistas, inventores e homens de negócios começam a desaparecer. Entraram em greve e aguardaram num local remoto a desgraça dos Estados Unidos da América.

A critíca denunciou o livro como contrário aos valores da sociedade americana, e a autora era desprezada pelos seus pares.

Esses acontecimentos conduziram Ayn Rand a uma depressão profunda.

Depois da morte da autora, e com a ascenção do paradigma capitalista de Friedmann que apoiou conceptualmente os governos de Reagen, Thatcher e das organizações económicas internacionais; Atlas Shrugged tornou-se o livro mais importante nos Estados Unidos a seguir à Biblia.

Hoje, em comícios do Tea Party vêm-se cartazes com o nome do livro e um filantropo pagou a realização de um filme a tempo de servir a campanha eleitoral republicana.
( a ideia é atribuir a sociedade de total governo ao mandato de Obama)


Entrevista com Ayn Rand no programa de Mike Wallace em 1959: aqui