Pele de Galinha #1





Is Beauty a mere human generated concept, subjected to individual subjectivity (to taste), or an unchanging and higher value, colectively accepted and perceived, like Goodness, Justice ou Truth? 

Is Beauty a simple mental process, there to help us cope with the overwhelming weight that a complex, mostly misunderstood and over all weird existance, can bring into a childish like brain and conciousness (even it it has been 200000 years, that is but a blink in the slow evolving process we are supposed to be in)? 

Is art the way to redeem all the pain and suffering that seem to come innevitabilly with life itself? Can the artist and his crations be the path to a better world when reality is lit by the ideal and thus trancendended and transformed into Beauty that we can share and revisit? 

 Can Music, with its energy waves moving only through material environments (gas, liquid, solid), almost simultaneously hit us not only by entering our complex auditory system, but also by reaching every cell (the speed of sound increases with an higher density of the material in witch it is travelling), be the harder to ignore form of Art?

Because it can make us physically vibrate in a very similar way to the original vibration, can Music (as an Art form) rescue us from the intelectual and emotional apathy, from entertaignment, from all the distractions/worries/duties imposed by our society and culture, from materialism, from selfishness and the need to have, in the shortest period possible, all our basic needs satisfied? 

 Could we, for all sorts of reasons, have taken a very wrong turn, by turning our back on Beauty? 

Could we be, after a century, nearing a point of no return? Can we be deranged, out of touch and balance by lack of Beauty? 

Can we even recognise It when, once in a while, we are blessed by a tiny glimpse of It? In a world allmost totally molded by superficiallity and futility, are we still brave enough to give ourselves to a real emotion, to the "cutis anserina" and the swirling sensation, that the transfigured vision of all the sorrows of the artist while a human being can bring us? Can we afford, in this crowded, busy, demanding world, a few minutes of our undivided attention just to allow ourselves to be struck by Beauty in Its purest form? 

Of a particular affection for the f sharp minor pieces of Aleksandr Skryabin, some (allmost chronologicall) wanderings on (the) tonality (and others) were born. 

Toccata in f sharp minor, BWV 910 Johann Sebastian Bach (Eisenach 1685 - Leipzig 1750) 

2nd movement in f sharp minor - Adagio Piano Concert nº 23 in A major Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburg 1756 – Vienna 1791) 

Capriccio in f sharp minor, 8 Klavierstücke op.76, nº1 Johannes Brahms (Hamburg 1833 – Vienna 1897) 

Prelude in f sharp minor, op. 28, no. 8 Aleksandr Nikolayevich Skryabin (Moscovo 1871/2 – Moscovo 1915) 

 1st movement - Adagio in F sharp Major (in a clear alusion the famous "picarda") 10th Synphony (unfinished) Gustav Mahler (Bohemia 1860 – Vienna 1911)


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Será a Beleza um mero conceito humano (sócio-culturalmente pré-definido) sujeito à subjectividade individual (ao gosto) ou um imutável e mais alto valor, colectivamente "aceite e percepcionado", como o bem, a justiça, a verdade? 

Será o Belo somente um processo mental que nos faz suportar o peso esmagador, que exerce sobre um cerebro e consciência ainda na sua infancia (mesmo que 200000 anos, isso não é senão um instante no processo evolutivo a que supostamente estamos sujeitos), uma complexa, incompreendida e (logo) deveras estranha existência? 

 Será a Arte a redenção de toda a dor, sofrimento e finitude intrincadamente ligados à Vida? 

Poderão o artista e as suas criações ser um veículo para um mundo melhor quando todas as vicissitudes do real, expostas à luz do ideal, se trancendem e transformam simplesmente em beleza que podemos partilhar e revisitar? 

Será a Música, com as suas ondas energéticas, propagáveis em meios materiais (gasoso, liquido ou sólido), e que nos atingem não só através do sofisticado sistema auditívo, mas também através do material mais ou menos sólido que é o nosso corpo, chegando a todas as células quase simultaneamente (já que a velocidade do som é maior quanto maior for a densidade do meio em que se propaga), a forma de arte cujo impacto mais dificilmente poderemos desprezar ou ignorar? 

Poderá a Música (como forma de arte), por nos fazer vibrar fisicamente, de uma forma muito semelhante à vibração que lhe deu origem, ser capaz de nos arrancar ao marasmo intelectual e emocional, do entretenimento, das distracções/obrigações/preocupações socio-culturalmente impostas, do materialismo, do egoismo de querermos ver, no mais curto período de tempo, todas as nossas necessidades básicas satisfeitas? 

Será que, ao virarmos, pelas mais variadas razões, as costas ao encanto do Belo demos o mais errado passo na história conhecida do homem? Será este processo, um século depois, irreversível? 

Estaremos doentes, desenraízados, desprendidos, desajustados por falta de Beleza nas nossas vidas? Seremos ainda capazes de A reconhecer quando fugazmente Ela se cruza com o nosso caminho? 

 Num mundo quase totalmente moldado pela superficialidade, futilidade e banalidade, teremos ainda a coragem de nos expormos a uma real emoção, à cutis anserina e à vertigem, que a visão transfigurada das agruras do artista, enquanto ser humano, nos provoca? 

 Neste apertado, apressado e exigente mundo, poderemos ainda dispensar alguns minutos da nossa atenção exclusiva, a algumas passagens musicais com o único propósito de sermos arrebatados pela Beleza na sua forma mais pura? 

De um profundo apreço pelas obras em fá sustenido menor de Aleksandr Skryabin, nasceram algumas deambulações (quasi cronológicas) pela tonalidade (e outras)... 

Toccata para cravo em fá sustenido menor, BWV 910 Johann Sebastian Bach (Eisenach 1685 - Leipzig 1750)

II andamento - Adagio em fá sustenido menor Concerto para piano e orquestra nº 23, em Lá maior Wolfgang Amadeus Mozart (Salzburg 1756 – Vienna 1791) 

 Capriccio em fá sustenido menor, 8 Estudos para piano op.76, nº1 Johannes Brahms (Hamburg 1833 – Vienna 1897) 

 Preludio em fá sustenido menor, op. 28, nº 8 Aleksandr Nikolayevich Skryabin (Moscovo 1871/2 – Moscovo 1915) 

I andamento - Adagio em Fá sustenido Maior (numa clara alusão à, tão típica do tonalismo, cadência picarda) 10ª Sinfonia (incompleta) Gustav Mahler (Bohemia 1860 – Vienna 1911)