Pele de Galinha #2

quartas & sábados às 11:00 e 20:00

Será a Beleza um mero conceito humano (sócio-culturalmente pré-definido) sujeito à subjectividade individual (ao gosto) ou um imutável e mais alto valor, colectivamente "aceite e percepcionado", como o Bem, a Justiça, a Verdade?

Será o Belo somente um processo mental, que nos faz suportar o peso esmagador que exerce, sobre um cerebro e consciência ainda na sua infancia (mesmo que 200000 anos, isso não é senão um instante no processo evolutivo a que supostamente estamos sujeitos), uma complexa, incompreendida e (logo) deveras estranha existência?


Será a Arte a redenção de toda a dor, sofrimento e finitude intrincadamente ligados à Vida?

Poderão o artista e as suas criações ser um veículo para um mundo melhor quando todas as vicissitudes do real, expostas à luz do ideal, se trancendem e transformam simplesmente em Beleza que podemos partilhar e revisitar?

Será a Música, com as suas ondas energéticas, propagáveis em meios materiais (gasoso, liquido ou sólido), e que nos atingem não só através do sofisticado sistema auditívo, mas também através do material mais ou menos sólido que é o nosso corpo, chegando a todas as células quase simultaneamente (já que a velocidade do som é maior quanto maior for a densidade do meio em que se propaga), a forma de arte cujo impacto mais dificilmente poderemos desprezar ou ignorar?

Poderá a Música (como forma de arte), por nos fazer vibrar fisicamente, de uma forma muito semelhante à vibração que lhe deu origem, ser capaz de nos arrancar ao marasmo intelectual e emocional, do entretenimento, das distracções/obrigações/preocupações socio-culturalmente impostas, do materialismo, do egoismo de querermos ver, no mais curto período de tempo, todas as nossas necessidades básicas satisfeitas?

Será que, ao virarmos, pelas mais variadas razões, as costas ao encanto do Belo demos o mais errado passo na história conhecida do homem?

Será este processo, um século depois, irreversível?

Estaremos doentes, desenraízados, desprendidos, desajustados por falta de Beleza nas nossas vidas? Seremos ainda capazes de A reconhecer quando fugazmente

Ela se cruza com o nosso caminho?

Num mundo quase totalmente moldado pela superficialidade, futilidade e banalidade, teremos ainda a coragem de nos expormos a uma real emoção, à cutis anserina e à vertigem, que a visão transfigurada das agruras do artista, enquanto ser humano, nos provoca?

Neste apertado, apressado e exigente mundo, poderemos ainda dispensar alguns minutos da nossa atenção exclusiva, a algumas passagens musicais com o único propósito de sermos arrebatados pela Beleza na sua forma mais pura?
 
De um profundo apreço pelas obras em fá sustenido menor de Aleksandr Skryabin, nasceram algumas deambulações (quasi cronológicas) pela tonalidade (e outras)...
 

Sonata em fá sustenido menor, K25, L481 
Domenico Scarlatti (Napoli 1685 - Madrid 1757)

Preludio nº8 (molto agitato), em fá sustenido menor
24 preludios op.28
Fryderyk Chopin (Warszawa 1810 -  Paris 1849)

I andamento - Adagio-Allegro moderato
Quinteto com piano em fá sustenido menor, op. 67
Amy Marcy Beach  (Henniker 1867 - New York 1944)

Concerto para piano e orquestra nº1, op.1
I andamento - Vivace (fá sustenido menor)
II andamento - Andante cantabile (Ré maior)
III andamento -Allegro scherzando (fá sustenido menor - Fá sustenido Maior)
Sergey Vasil'yevich Rakhmaninov (Onega 1873 -  Beverly Hills 1943)

I andamento - Drammatico
Sonata para piano nº3 em fá sustenido menor, op.23
Aleksandr Nikolayevich Skryabin (Moscovo 1871/2 – Moscovo 1915)