TRANSPORTES: «O MERCADO A FUNCIONAR»



Dia 28 de Agosto o INE publicou  o movimento de passangeiros para o 2º trimestre de 2012 nos transportes em Portugal.
Os dados foram divulgados por grande parte dos media, que destacaram uma diminuição generalizada de passageiros em todos os meios de transporte.

O Ministério da Economia emitiu uma opinião sobre a redução generalizada dos transportes públicos: «É o mercado a funcionar».

Vejamos alguns dos dados divulgados:

- A utilização do Metropolitano de Lisboa diminuiu 13,1% (menos 5,9 milhões de passageiros em relação ao período homologo);
- Os transportes fluviais desceram 15%;
- As redes suburbanas de comboio (que correspondem a 90% do total do trafego) perderam 12% dos seus passageiros.

E já agora, algumas das opções que ajudam esse «mercado» a funcionar:

- Com 15% de desemprego (mais de 20% certamente) há menos deslocações pendulares;
- Este ano houve uma subida generalizada dos transportes. As tarifas do Metropolitano de Lisboa, que é o meio de transporte com mais passageiros, teve um agravamento de 21,3% só este ano (ou seja, procurar emprego a estes preços está quieto!);
- Os dois milhões de pessoas em Portugal com mais de 65 anos deixaram de usufruir dos 50% de desconto para as tarifas (sair de casa na reforma também deixou de ser opção);
- Os estudantes deixaram de usufruir de desconto universal;
- O passe social universal cessou a sua actividade;
- O novo passe social + é mais caro que o extinto passe social, e os descontos apenas são aplicáveis a quem prove rendimentos até 544€ (De recordar os milhares de imigrantes que habitam a AML sem comprovativos de residência ou indocumentados e os seus filhos, também todos sujeitos a trabalho precário e por isso sem possibilidade de reivindicarem o desconto).

Acrescente-se que, com os preços da gasolina a atingirem recordes, ainda assim ,o transporte público, e por último o direito de deslocação,  deixa de existir.
O mercado funciona, mas não para as pessoas.

Ao não termos opção, os transportes podem até aumentar o seu número de passageiros, mas noutra direcção:

- O Aeroporto de Lisboa obteve um aumento em 1,5% de passangeiros;
- A rede internacional de transportes ferroviários registou um aumento de passangeiros de 13,9%.