A TORTURA EM PORTUGAL


 Ontem circulou via facebook o seguinte apelo:

"Á CONSIDERAÇÃO DAS AUTORIDADES E DO SOSRACISMO: ACABO DE RECEBER ESTE POST, (...): 

Houve uma rusga policial a uma das comunidades ciganas da Vila de Prado, Vila Verde (concelho vizinho de Braga) em que foi usada de grande violência e métodos de tortura. A polícia espancou várias pessoas, alguns ficaram em bastante mau estado. Bateram indiscriminadamente incluindo em mulheres e jovens, molharam as pessoas e deram-lhes choques eléctricos, enfiaram uma mangueira a deitar água na boca de outra pessoa na tentativa de arrancar informações. 

Na viagem para a esquadra continuaram a bater nos ciganos enquanto os obrigavam a cantar "à cigano". Houve vizinhos não ciganos que saíram de casa para ver o que se passava e foram ameaçados com armas de fogo. Estamos todos consternados e revoltados com isto tudo e neste momento não temos informação de que possa vir a haver alguma acção legal contra a actuação policial. SOMOS CONIVENTES COM ESTAS FORMAS VIOLENTAS DE RACISMO INSTITUCIONAL? NÃO HÁ UM ADVOGADO QUE QUEIRA AGIR, EM NOSSO NOME?"

Também ontem, imprensa local, o jornal Vila Verdense dava conta do assunto do seguinte modo: aqui

Hoje, o apelo de ontem foi convertido em notícia do jornal O Público , em que assistentes sociais e o SOS Racismo confirmam o conteúdo das agressões e tortura.


A propósito do caso, o SOS Racismo emitiu hoje o seguinte comunicado:




No seguimento do contacto de uma comunidade cigana de Vila de Prado, Vila Verde, Braga, sobre uma actuação policial deslocamo-nos ao local para averiguar os factos e contactar com a população.

Assim, na passada segunda-feira, dia 24 de Setembro, ao fim da tarde, uma operação composta de cerca de oitenta agentes de várias forças policiais entrou pelo espaço da referida comunidade cigana. Nesta comunidade habitam cerca de trinta pessoas que compõem seis agregados familiares. 

Segundo informações de meios de comunicação social, a operação estaria a cumprir a execução de três mandados de busca em consequência de vários delitos. Pelos relatos da população soubemos que nenhum documento foi mostrado ou entregue. 

Segundo testemunhos de vários elementos da comunidade a actuação das forças policiais fica marcada por vários actos que a comprovarem-se verdadeiros, condenamos veemente. Dos relatos destacamos acções de violência extrema que não podem ser justificados como mera actuação policial, tais como: 

- Molhar alguns dos detidos com uso de mangueira e em seguida aplicar choques eléctricos através do uso de “taser”; - Revistas aleatórias a membros da comunidade incluindo despir uma mulher em frente a agentes do sexo masculino; 
- Uso de pontapés, socos, armas brancas, bastões, tiros de balas de borracha de forma indiscriminada atingindo vários elementos, num espaço onde se encontravam crianças e menores obrigadas a assistir ao que se passava; 
- Vários elementos da comunidade foram agredidos verbalmente com conteúdos racistas e obrigados a comportamentos humilhantes; 

Resulta de todo este processo a detenção de cinco adultos e três menores, que segundo relato dos mesmos continuaram a ser agredidos nas carrinhas até à esquadra da GNR de Amares. Dois dos menores foram largados das carrinhas a cerca de três quilómetros do local da ocorrência, sendo obrigados a percorrer o caminho de volta a pé. 

Esperamos ver averiguados estes factos, fundamentando a nossa posição pelo testemunho das agressões visíveis e documentadas mais tarde no Hospital de S. Marcos, em Braga. 

Também nos fundamentamos no facto de não ter sido constituída nenhuma acusação aos detidos para além de um elemento que ainda se encontra detido sob acusações prévias ao sucedido. 

Ninguém das autoridades policiais, municipais ou mesmo o ACIDI falou ainda sobre o assunto.