Lisboa, 15 de Setembro de 2012

Os momentos históricos devem contar-se pelos dedos. A coincidência feliz do lugar e do tempo certo, obra proverbial de jornalistas e historiadores, deve permanecer uma dádiva quase mística a que as pessoas não se habituam, nunca conseguem prever com exactidão, e aprendem a temer com o corpo, como um encontro fugaz com alguém muito desejado.

O maior risco das celebrações prematuras é a desilusão. A pressa e a violência são duas companheiras muito antigas, íntimas dos que não têm idade e dos que ignoram a arte da guerra. O medo, quando surpreendido pela história, é substituído pela certeza, ou a lembrança, de que as coisas nunca podem ficar como estão.

É impossível estar hoje na Europa e não imaginar o futuro. É irresponsável viver hoje em Lisboa e não considerar o século. À pergunta de qual é o rumo, deve contrapôr-se "qual é o ritmo?", e a resposta, ou o acordar do choque, como sempre, deve ser continental.