MOTELx 2012: The Butterfly Room


No dia 13 de Setembro de 2012, terça feira, a Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge recebeu The Butterfly Room, um filme escrito e realizado pelo italiano Jonathan Zarantonello e que apresenta um elenco recheado de divas do terror, liderado pela britânica Barbara Steele, um dos grandes nomes do cinema do terror que alcançou fama internacional com os inúmeros filmes Italianos de terror gótico que protagonizou nos anos 60. 

A história é feita de protagonistas femininas, tendo a personagem de Barbara Steele – Ann - como figura central. Ann e a sua filha, a sua vizinha e filha, Alice – uma rapariga que Ann toma a seu cuidado, e a sua mãe, são estas seis mulheres e as suas relações maternais que estão no centro da história. Ann é uma solitária colecionadora de borboletas que mantém o quarto onde exibe a sua colecção um templo imaculado onde só ela e “as suas meninas” podem entrar. Ann faz tudo para ter a filha da sua vizinha a seu cargo e toma a seu cuidado também uma rapariga que conhece num centro comercial e com quem mantem uma relação obsessiva/possessiva. Mas esta necessidade de ter alguém a seu cuidado, esse seu instinto maternal distorcido esconde um segredo obscuro que se revela ao longo do filme. 



Com um belíssimo tratamento de imagem e trabalho de fotografia, esta obra surpreendeu o público quando foi apelidada pelo próprio realizador como uma produção low budget, pois tendo em conta a qualidade do elenco e do filme em geral poderia tratar se de uma super-produção hollywoodesca. 

Durante a sessão de conversa com o realizador foi possível discutir o verdadeiro significado da obra, e à pergunta “ sobre o que é o filme” surgiram da parte do publico três respostas diferentes: a perda de inocência - que é retratada de uma forma clara pelas personagens mais jovens do elenco; o amor - que se apresenta na obsessão maternal de Ann e por fim o controlo que é demonstrado também pelas relações que a protagonista força. 

O realizador dividiu a resposta certa por estas três respostas, a perda da inocência e um misto de amor e controlo explicado pela aproximação que estas duas noções apresentam. Mas no fim, como explicou Jonathan Zarantonnello, o filme era sobre sexo. E esta explicação encontra na analogia entre a borboleta e o órgão sexual feminino e na ausência de uma figura masculina os seus principais alicerces.