OCCUPY - NOAM CHOMSKY #book #chomsky


O movimento Occupy Wall Street sedeou a sua luta em Zuccoti Park. O nome do parque inspirou a criação de uma colecção de livros com o mesmo nome - Zuccoti Park Press - cujo objectivo é publicar livros/panfletos baratos escritos por figuras que possam inspirar uma mudança social.

A primeira edição da colecção é o livro Occupy, escrito a partir das ideias de Noam Chomsky: dirigindo-se à assembleia popular do Occupy Boston em Dewey Square (Novembro de 2011); entrevistado por um aluno do MIT (Janeiro de 2012) e  a sua intervenção na conferência do InterOccupy (Janeiro de 2012).

Para Chomsky o Occupy é um dos movimentos com mais sucesso a que pôde assistir e, apesar de toda a repressão: prisões, vigilância, acusações forjadas; o movimento não cessou de crescer, de cidade para cidade, de país a país, até ao inner city (Occupy the Hood).

O movimento é uma forte resposta à crise económica actual e às imposições dos mercados financeiros sobre as pessoas. O desespero de agora recorda-lhe os tempos da grande depressão, e é atribuído a uma política constante de disempowerment dos cidadãos. 
Lembra-nos "Saint Alan" - Alan Greenspan (um dos principais responsáveis da crise actual), que numa declaração ao congresso durante o mandato de Clinton explicou os méritos da grande economia:

« He said a lot of sucess of this economy was based substantially on what he called "growing worker insecurity". If working people are insecure, if they´re part of what we now call the "precariat", living precarious existences, they´re not going to make demands, they won´t get benefits. We can kick´em out if we don´t need them.»

Em parte para responder às consequências dessa Grande Economia, Chomsky propõe unidades de autogestão, em especial nas unidades manufactureiras ameaçadas de deslocalização. Grande parte delas é lucrativa, e a deslocalização é apenas uma forma das corporações atingirem ainda mais lucros.
O modelo actual deve dar lugar a uma economia da comunidade, porque só com o apoio desta última será possível efectivar a autogestão nas unidades de produção.

Chomsky lembra tentativas recentes de comissões de trabalhadores que tentaram adquirir unidades de produção em vias de serem deslocalizadas, e que apesar das ofertas lucrativas, as empresas preferiram fechar as fábricas a vendê-las aos trabalhadores. Fizeram-no não por questões económicas mas de «classe».

Sobre estas últimas propostas de reformulação económica, Chomsky aconselha a leitura do trabalho desenvolvido por Gar Leporovitz - America Beyond Capitalism.