A possibilidade de uma ilha

"[...] Também me ouviu com algum embaraço, antes de me projectar a primeira de uma série de anúncios publicitários que haviam programado difundir, a partir da semana seguinte, na maior parte dos canais de cobertura mundial. Com uma duração de trinta segundos, representava, num único plano-sequência que transmitia uma impressão de veracidade insustentável, uma criança de seis anos fazendo uma birra num supermercado. Exigia mais um pacote de guloseimas, primeiro numa voz queixosa - e já desagradável - e depois, perante a recusa dos pais, largava a gritar, a rebolar-se no chão, aparentemente à beira da apoplexia mas interrompendo-se de vez em quando para verificar, por meio de breves olhares astuciosos, que os progenitores se encontravam sob inteira dominação mental; os clientes de passagem observavam a cena indignados, os próprios vendedores começavam a aproximar-se da fonte de perturbação e os pais, cada vez mais incomodados, acabavam por se ajoelhar em frente do pequeno monstro pegando em todos os pacotes de guloseimas para lhos porem aos pés, como outras tantas oferendas. A imagem então fixava-se, enquanto se inscrevia no ecrã, em letras capitais, a seguinte mensagem: JUST SAY NO. USE CONDOMS."