Entrevista a Pedro Brito e Marcos Farrajota: 20 anos do Mesinha de Cabeceira

A Stress.fm foi falar com o Pedro Brito e o Marcos Farrajota sobre o fanzine de banda desenhada Mesinha de Cabeceira.




O PRIMEIRO NÚMERO do Mesinha saiu em 1992, numa altura em que a malta, em vez de comunicar através de blogs ou do Facebook, fazia fanzines. Quase toda a gente tinha o seu próprio zine: havia-os sobre música, BD, vegetarianismo, política, etc.  O Pedro e o Marcos começaram por fazer zines A5 feitas em fotocópias a preto & branco, agrafadas com "a velha técnica da borracha por baixo".

Desviando-se das temáticas que inundavam as banda desenhadas portuguesas, eles entraram a abrir com narrativas que, em vez de detectives ou superheróis, pegavam no quotidiano, na provocação e na xungaria. Os primeiros números do Mesinha vinham inundados de bd´s em que "tudo era possivel, tudo era válido". Havia um "elo de amizade, uma vontade de contar coisas… daí surgiu o fanzine".

É quase impossível ler os primeiros números do Mesinha de Cabeceira sem nos depararmos com a influência dos comics brasileiros Animal e Chiclete com Banana, assim como dos comics norte-americanos (EUA e Canada), que tinham chegado no inicio dos anos 90 ao Salão do Porto: Joe Matt, Roberta Gregory, Chester Brown e Joe Sacco são alguns dos autores que de alguma maneira deram ainda mais força à  produção das  BD´s com temáticas auto-biográficas que eles estavam a criar. Este foi o género que o Marcos posteriormente acabou por abraçar com unhas e dentes e que marcou boa parte dos números do Mesinha.

Para além do formato clássico "fanzinesco", o Mesinha de Cabeceira passou pelo "per(sonal)zine" (e voltou agora com o número 24), monografias (Nunsky, Isabel Carvalho, Mike Diana, André Lemos, João Maio Pinto) e edições colectivas.

Aos poucos, a participação do Pedro Brito foi-se tornando mais esporádica. Naturalmente, o projecto do Mesinha foi passando a estar a cargo do Marcos, que entretanto fundou a Chili Com Carne. O Pedro criou com outros autores de BD a editora Polvo, continuou a criar BD´s e actualmente está a fazer a webcomic Margem Sul.


Podes ouvir a entrevista aqui:



Playlist: O Pedro escolheu The Artwoods - "I Feel Good", Crazy World Of Arthur Brown - "Fire", Easybeats - "Friday On My Mind", The D-Coys - "Bad Times" e Thane Russal - "Security"; o Marcos escolheu Ween - "Little Birdy" e Knifethruhead - "I piss in random directions". A escolha de Pink Fairies, com a malha "Do It", foi da nossa responsabilidade.

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Em comemoração dos vinte anos do Mesinha de Cabeceira vai inaugurar no próximo dia 25 de Outubro de 2012 na Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, em Lisboa, uma exposição com "uma selecção de peças curiosas, sobretudo de originais de BD dos 20 anos de actividade editorial do fanzine Mesinha de Cabeceira, desde o seu número zero até ao mais recente número 23. Optou-se para mostrar algumas curiosas peças que mostram de forma simples as pranchas de BD (originais) pouco antes de serem impressas fosse nos tempos gloriosos da fotocopiadora até à impressão offset, passando ainda pela serigrafia." *


Nesse mesmo dia, também vai ser lançado o número 23 desta publicação: uma antologia de 352 páginas, com trabalhos de  João Chambel, Daniel Lopes, Sílvia Rodrigues, Afonso Ferreira, Rafael Gouveia, Sara Gomes & André Coelho, José Smith Vargas, Bruno Borges, João Maio Pinto, Silas, Stevz (Brasil), Martin López Lam (Peru/ Espanha), Lucas Almeida, Dice Industries (Alemanha), Uganda Lebre, Filipe Abranches, Tea Tauriainen (Finlandia), João Fazenda  e Zé Burnay.

Podes comprar alguns dos números do Mesinha de Cabeceira AQUI