INSTRUMENTALZ - PRIMERO G


O MC e produtor Primero G lançou na internet um desafio em que se propõe a pôr online durante 60 dias e a partir da próxima Terça-Feira 23 de Outubro (até 21 Dezembro) 102 beats com influências musicais de um mesmo número de países.

O evento denomina-se Volta ao Mundo em 60 dias e é inspirado nas aventuras de Júlio Verne, transportado para o mundo dos instrumentais. Esta foi a forma encontrada por Primero G para dar a volta ao mundo à procura de diferentes sonoridades.

Serão colocados na página de Facebook da Instrumentalz dois beats diários (aqui) que no fim vão ser compilados em 5 cd´s de edição limitada.

INSTRUMENTALZ E UM POUCO DA HISTÓRIA DO RAP DA GRANDE LISBOA


Durante os anos 90 do século XX o rap dos bairros periféricos de Lisboa sentia grande dificuldade na produção de beats, dependendo bastante de produtores externos. O beat box alimentava as esquinas e permitia a agregação à volta da prática do Rap.

Alguns tinham acesso à caixa de ritmos Akai (era o caso de TWA). 

Na segunda metade da década de 90 e início do século XXI, a produção de beats transitou das caixas de ritmos para software sofisticado disponível em PC e em Mac (Pro Tools, Reason, Fuity Loops, Cubase, etc).

Essa transição foi demorada nos bairros periféricos de Lisboa. Os computadores rareavam, o acesso à internet também e o acesso a formação especializada era uma miragem.


Com os sucessivos lançamentos das compilações Instrumentalz, entre 1998 e 2004, Primero G pretendia dotar os Mc´s de vários bairros da possibilidade de terem beats disponíveis para as suas letras; ao mesmo tempo incentivando-os a cantar e a produzir.

Após as primeiras edições de Instrumentalz, fizeram-se várias visitas a bairros denominadas - Freestylaz - com o intuito de gravar na hora, sem aviso e em modo de freestyle várias Mixtapes.

A edição número zero realizou-se em Chelas (zona J), Miratejo e Bairro Alto; utilizando mini disc

O objectivo das visitas era demonstrar aos praticantes de Rap Underground as facilidades tecnológicas existentes para a implemetação de um movimento autónomo, sem dependências externas e com a utilização de poucos recursos.

A câmara de filmar era um recurso acessório, mas também demonstrativo das possibilidades existentes para a promoção da imagem.

A edição número um (2003 - 2004) originou a realização de quatro pequenos documentários gravados nos locais em que se realizaram mixtapes: Porto Salvo (Moinho das Rolas), Arrentela, Miratejo e Mira Sintra.

Nessas duas edições de Freestylaz (00 e 01) participaram entre outros: Karlon, Chullage, Cebola, Moleza, Kandaurov, Bambino, Pump, B-Joy, Dom Nuno, Lowrasta, Meko Quasi OG, Kosmikilla, Red Chikas, Loreta, Pilon, Txapo, Zé, Mali.

Albúm de fotos oldschool dessas gravações: AQUI.


(KBA em 2003)