DESDE SÃO PAULO: RELATOS DA LUTA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO GUARANI-KAIOWA #sãopaulo


Ontem, dia 9 de Novembro, celebrou-se um pouco por todo o Brasil mais uma jornada de luta em defesa do Povo Guarani Kaiowá. 

Em São Paulo, realizou-se um cortejo com a participação de vários grupos de esquerda, colectivos anti-autoritários e anarquistas, organizações de defesa dos direitos humanos e, o povo em geral.

A concentração teve início na Avenida Paulista junto ao MASP - Museu de Arte de São Paulo, para os participantes fabricarem em conjunto cartazes e pinturas alusivas à cultura indígena.


O cortejo arrancou em direcção ao Tribunal Regional Federal, e de seguida dirigiu-se ao Teatro Raul Cortez onde se realizou um dos pontos altos da manifestação.

O teatro tem em cena uma peça de comemoração dos 50 anos de carreira de Regina Duarte - "Raimunda, Raimunda".  A Actriz é fazendeira e tem sido porta voz do sextor ruralista contra os direitos dos indígenas.


Depois do término da peça, a manifestação dirigiu-se para o Vale de Anhangabaú, uma area no centro da cidade se São Paulo reclamada como hitoricamente indígena. 

Fica a carta emitida pelo Conselho Aty Guasu Guarani e Kaiowa apelando às várias mobilizações de dia 9:



“Saiam às ruas, pintem os rostos, ocupem as praças, ecoem o grito do nosso povo que luta pela vida, pelos territórios!” 

Esta é uma carta das lideranças do Aty Guasu (Grande Assembleia) direcionada especialmente às diversas “mobilizações contra o genocídio do nosso povo Guarani e Kaiowá” previsto para o dia 09 de novembro em várias cidades do País e do Mundo. 

Queremos agradecer por todas estas iniciativas de solidariedade em defesa das nossas terras e nossas vidas. Hoje somos 46 mil pessoas sobreviventes de um continuo e violento processo de extermínio físico e cultural acarretado principalmente pela invasão histórica de nossos territórios tradicionais (tekoha guasu) e por assassinatos de nossas lideranças e famílias. 

Por isso reafirmamos que o Estado Brasileiro é o principal responsável por este estado de genocídio, ora por participação, ora por omissão. Nossa Aty Guasu é responsável nos últimos 35 anos pela organização política regional e internacional do nosso povo e por nossa luta na defesa e efetivação de nossos direitos fundamentais e constitucionais, de modo prioritário a retomada dos territórios tradicionais. 


Por esse motivo, nosso povo possui a maior quantidade de comunidades atacadas por pistoleiros e de lideranças assassinadas na luta pela terra do Brasil República. Por isso, através desta carta queremos unir nossas vozes a de todos vocês e promover o mesmo grito pela vida de nosso povo com as seguintes prioridades: 

- A imediata demarcação de nossos territórios tradicionais e a desintrusão dos territórios já declarados e homologados. 
- Que a Funai publique, ainda este ano, os relatórios de identificação dos territórios em estudo. - Que diante do processo legítimo de retomada de nossos territórios, nosso povo não seja despejados, uma vez que roubaram nossas terras por primeiro e nos confinaram em pequenas reservas. 
- Que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ crie mecanismos para que as ações judiciais envolvendo nossos territórios sejam julgados com prioridade máxima, de modo, a não se arrastarem por anos nas instância do judiciário, enquanto nosso povo passa fome à beira das estradas em Mato Grosso do Sul. - Que haja uma efetiva ação de segurança de nossas comunidades e lideranças em área de conflito e ameaçadas. 
- Que os fazendeiros e pistoleiros assassinos de nosso povo sejam julgados e condenados. 
- A imediata revogação da inconstitucional portaria 303 da Advocacia Geral da União e o fim das iniciativas do Congresso Nacional em destruir nossos direitos garantidos na Constituição Federal de modo unânime as PECs 215, 38, 71, 415, 257, 579 e 133. 

Não aceitaremos mudança constitucional! 


Por fim, que todas as manifestações não se encerrem em 9 de novembro, mas que esta data seja o inicio de um continuo engajamento da sociedade não indígena na defesa da vida de nosso povo e de pressão sobre o governo. 

Junto com todos vocês, nosso Povo é mais forte e venceremos o poder desumano do agronegócio explorador e destruidor de nossas terras. A ganancia deste sistema não vencerá a partilha de nossos povos. Vamos continuar a retomada de todas as nossas terras tradicionais! Somos todos Guarani e Kaiowá! Muito obrigado pela SUA VOZ SAGRADA PROTETORA: “TODOS POR GUARANI E KAIOWÁ!” 

Dourados, 7 de novembro de 2012 – Conselho do Aty Guasu Guarani e Kaiowá.

 Fotoreportagem desde São Paulo por Sofia Yu