O MAPA NÃO É O DO PAÍS: programação

Programação d´O MAPA NÃO É O DO PAÍS, a decorrer em Lisboa, na Galeia da Boavista.
 
5ª feira, 13 de Dezembro:

às 19h: Por que razão O MAPA NÃO É O DO PAÍS:  protestos, praças e corpos, apresentado por Ana Bigotte Vieira (PT) e Sandra Lang (CH)

— Que questões levantam os recentes protestos globais de ocupação das praças, em termos de pensamento do espaço da cidade e do seu uso (distribuição de espaço público/espaço privado/ espaços comuns/espaços restritos)?

— Que características associamos com as posturas, gestos e movimentos dos corpos que vemos nestes protestos?

— De que modo estes protestos se relacionam ou diferem de movimentos anteriores, em termos de “repertórios” corporais e uso do espaço da cidade?
 
— De que forma poderão as técnicas de ocupação – que incluem dormir, comer, trabalhar, estudar (ou seja, assegurar a manutenção das condições de reprodutibilidade social no espaço público) – ser entendidas como discurso politico de direito próprio?
 
— Como encarar estas lutas  - feitas com e pelo uso dos corpos juntos no espaço das ruas -  na sua relação com a violência omnipresente do corpo policial que circunda os acampamentos e os protestos?
 
— De que modo é este “estar em pessoa” diferente de “estar em representação”, seja de um partido politico, uma agenda pessoal ou um grupo de interesses?
 
— Pelo que se está a lutar quando se luta pela ocupação destes espaços? Que espaços estão aqui a ser contestados e que novos espaços estão a ser criados?

Estes movimentos têm sido pautados pela apropriação performativa do espaço físico, seja ele público, privado ou com um estatuto intermédio (caso dos espaços público-privados), transformando-o e reclamando o seu uso como comum. Nisto têm levantado questões sobre aquilo a que Judith Butler na senda de Hannah Arendt chamou recentemente o “espaço de visibilidade pública”: quem pode aparecer onde e quando, a fazer o quê, e quais são as condições de possibilidade dessa visibilidade?

Dado o papel central que a disposição/ simples presença dos corpos no espaço da cidade tem desempenhado nos recentes protestos e ocupações, decidimos começar  por inquirir justamente corporalidades e usos do espaço no contexto destas lutas políticas. Assim, quase um ano depois de Crisis of Everything Everywhere , um seminário organizado pelo 16 Beaver Group, em Nova Iorque, em que participámos discutindo também estes temas (foi nossa a proposta de actividades do 3º dia “body practices: spacial politics”) voltamo-nos a encontrar, desta feita em Lisboa e passado um ano de protestos.

Bibliografia para discussão: BUTLER, Judith - Bodies in Alliance and the Politics of the Street [disponível AQUI]
 
Montra: Biblioteca itinerante do Rossio / Occupy Theory:
 
Construção de um espaço de partilha de informação crítica. Traz livros, textos, jornais, artigos impressos e vem lê-los connosco: este espaço será o que fizermos dele.
Numa altura em que a RTP cede imagens aos serviços ultra-secretos da polícia e os jornais emagrecem de dia para dia, partilhar e construir contra informação torna-se mais do que nunca um imperativo.

Exposição do projecto editorial Jogos Sem Fronteiras editado em 2007, logo após a cimeira Europa – África. 
Mais informações aqui e aqui.
 

THEATRE UNCUT em COIMBRA / PORTUGAL na CASA DA ESQUINA 17 Novembro das 17h às 19h ©Patrícia Sucena de Almeida
 
6ª feira, 14 de Dezembro:

Talking with Strangers – what is violence? (instalação), Katerina Paramana (GR)

19h – 21h: Salganhada/ CEM /Unipop conversam sobre o acampamento do Rossio- De um grupo que nasceu no Rossio e que ainda hoje dura, parte uma conversa sobre o que se ali se passou. Estamos também a recolher informação vídeo e textos sobre a acampada do Rossio. Se tiverem coisas enviem, por favor, para este email, com o título "Arquivo Acampadas do Rossio".

Esta conversa será intersectada pela instalação sem título de animalidade, de Vânia Rovisco.
21h30 - 23h30: OCUPPY, de Ricardo Correia/ Casa da Esquina

Este projecto surge no seguimento da apresentação na CASA DA ESQUINA do Festival Theatre Uncut/Teatro Sem Cortes nascido no Reino Unido, em resposta aos absurdos cortes ao financiamento no Reino Unido e aos nossos. OCUPPY é uma ocupação dos espaço da galeria com leitura de textos de dramaturgos de vários países que escreveram peças curtas em resposta a diversas temáticas tais como: a crise europeia, o estado do capitalismo global, e o movimento Ocuppy.

Duração: 21h30 às 23h30 (a leitura é em loop, podendo o público escolher os textos/sítios a visitar)
 

  


sábado, dia 15 de Dezembro:

17h: Instalação + Conversa: Katerina Paramana Talking with Strangers – what is violence?

Por meio de determinados gestos, a performance pode questionar o modo como as ideias e os valores são construidos, transmitidos e se reproduzem. No entanto, enquanto campo académico e artístico fechado sobre si próprio, pode também revelar-se quase autista – revolvendo continuamente sobre si própria. Se é que a performance pode - e para que a performance possa- ajudar à transformação da sociedade, temos de nos deslocar e permitir a intrusão: temos de deixar entrusos entrar e colocar os nossos diálogos em contextos diferentes, permitindo assim que vozes de outras disciplinas e de outros contextos entrem no nosso.

Este projecto convida participantes de diferentes países e disciplinas para responderem através de um texto, uma imagem ou um vídeo à pergunta “O que é a violência?” que lhes é enviada por e-mail. Qual é o potencial de um gesto deste género? Que tipo de objectos podem aparecer por via deste processo, que valores transportam? As respostas a esta questão serão expostas na galeria. No sábado Katerina Paramana alargará a  conversa a todos os presentes, testando assim os limites e as possibilidades de um projecto deste tipo.

Talking with Strangers – what is violence? Foi desenvolvido no âmbito do programa de inevestigação This Is Performance Matters  (uma colaboração entre a Goldsmiths, Unversity of London/ University of Roeahampton e a Live Arts Development Agency)

Mais informações AQUI

 

21h30 – 23h30:  Cinema a 3 revoluções, projecção de filmes, Alex Campos

“Os quiero, os respeto, os necesito (15M DESDE DENTRO)” (2011), 72 min. 

Madrid, 15 de Maio de 2011. Uma manifestação massiva por uma democracia real decide acampar na "Puerta del sol". Realizado pela comissão de audiovisuais do 15M, este é um documentário por dentro do movimento 15M, que creche como movimento horizontal e propõe uma mudança de paradigma. (mais info AQUI)


“Chefchauen” (2011), 8 min. 
Um filme feito por acaso. Enquanto estavamos a filmar uma ficção em Marrocos, nos encontramos com esta demonstração que resultou ser a razão da nossa expulsão do país. 

“½ revolution” (2011), 72 min. Um documentário pessoal desde a “Primavera Arabe” no Egipto. Um grupo de amigos realizadores que vivem no Cairo se lutam por continuar juntos nos primeiros dias caóticos da revolução Egipcia. 

Alex Campos é realizador de documentários, artista e performer nómada sediado em Lisboa com raízes em Madrid. Activista dentro dos movimentos sociais e do corpo, coordenador do projecto "Olhares Nómadas". 


domingo, dia 16 de Dezembro:
  
16-18h: O MAPA É DO TAMANHO QUE  O IMAGINARMOS

Actividade para crianças e pais
Com linhas, lã e fita cola ligamos o perto e o longe, o antigo e o novo, o que existe e o que queremos que exista. Vamos construir, no espaço, um mapa a muitas mãos, unindo uma porta a uma cadeira...a um quadro... a uma torneira... a um prédio... a um bolo... a um chão... a um corrimão... a uma mochila!
Tragam linhas lã, fita cola, fita gafa, fita de electricidade cores e um alimento para juntar à mesa do lanche.