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A Europa fez Habermas acordar da doença. Proibido de ler e escrever pelos médicos, o filósofo não resiste  a querer ajudar a Europa e lança-se em vários ensaios sobre a mesma. A crise passou a valer alguma coisa.


Assistimos, desde 2008, aos processos de aprendizagem penosos por parte do Governo federal alemão, que se aproxima, contrariando e em pequenos passos, da Europa. Por fim - passados dois anos e meio da insistência inicial em acções nacionais individuais, de regateio em torno do mecanismo de resolução de crises, de sinais equívocos e concessões adiadas - , parece impor-se a ideia de que o sonho ordoliberal de critérios de estabilidade resultantes de acordos voluntários a ser seguidos pelos orçamentos nacionais dos Estados-Membros fracassou.


Hoje, todos falam de «erro de construção» de uma união monetária à qual faltam as necessárias competências políticas de controlo. No entanto, o Governo alemão continua a insistir num elemento deste mundo conceptual agora desfeito: a ideia, estranhamente autoritária, de educar através de acordos assumidos voluntariamente, mas associados a sanções efectivas.



Ler o Choque do Futuro no anos 90 causa imensa estranheza, por ser demasiado actual e por ter sido escrito em 1970. Alvin Tofler foi consultor da IBM responsável por um redigir um relatório sobre a importância dos computadores na organização social. Também trabalhou para a Xerox e AT & T. Foram essas experiências que o levou a preparar durante os anos 60 a doutrina presente em Choque do Futuro.

Afastado alguns anos das publicações por prestar apoio a uma filha doente, Tofler acompanhado da sua companheira Heidi - edita A Revolução da Riqueza.


Houve alturas em que Heidi, por variadas razões, não quis a sua assinatura na capa do livro, acedendo apenas em 1993 com a publicação de Guerra e Anti-Guerra, e novamente em 1995 com Criando uma nova Civilização. Mas os leitores devem pensar em todos os livros Tofler como produtos conjuntos da nossa vida de amor a dois.

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Civilização é uma daquelas palavras compridas e enfadonhas que poderão intrigar filósofos e historiadores mas que adormecem a maioria. A não ser que seja usada numa frase como «a nossa civilização está ameaçada» - altura em que muitos se preparam para carregar as suas metralhadoras AK-47. Com efeito, muitos acreditam, hoje em dia, que a civilização está ameaçada - e que os EUA são essa ameaça. E assim é. Mas não da forma que a maioria de nós pensa.



A reunião entre gerações promovida pelo abalo cultural das celebrações de natal permite-nos materializar o subjecto de diversas formas.
Ao sacar Henri Lefebvre de uma árvore podemos ouvir - 
" - Não agarrava num livro dele desde os anos 50", e do mesmo modo ser tão contemporâneo para quem o recebe.

O Direito à Cidade (de 1968) foi recentemente editado pela Letra Livre com uma introdução de Carlos Fortuna e é um dos manuais dos movimentos sociais da cidade.


Poderosas forças tendem a destruir a cidade. Um certo urbanismo, diante de nós, projecta no terreno a ideologia de uma prática que visa a morte da cidade. Estas forças sociais e políticas assolam o "urbano" em formação. Poderá este germe, muito poderoso à sua maneira, nascer nas fissuras que ainda subsistem entre estas massas: o Estado, a iniciativa privada, a cultura (que deixa morrer a cidade, oferecendo a sua imagem e as suas obras ao consumo), a ciência, ou, sobretudo, a cientificidade (que se põe ao serviço da racionalidade existente e a Legítima)? Poderá a vida urbana recuperar e intensificar as capacidades de integração e de participação da cidade, quase inteiramente desaparecidas, e que não podemos estimular nem pela via autoritária nem por prescrição administrativa, nem pela intervenção dos especialistas?