Lawrence "Butch" Morris (10/02/1947 - 29/01/2013)

[Em homenagem a Lawrence "Butch" Morris, falecido no passado dia 29 de Janeiro de 2013, re-postamos o texto e a entrevista audio que ele nos deu em Julho de 2012, em Sines.]

Durante a segunda semana do Festival de Músicas do Mundo de 2012, a Escola das Artes de Sines acolheu o músico e compositor Lawrence “Butch” Morris para dar um workshop de três dias. Foi um evento que, embora tenha coincidido com o festival, não tinha nenhuma ligação directa com este; foi um evento paralelo. 



Butch Morris foi o criador de um método musical em que o maestro, através de gestos pré-definidos com a batuta, conduz um ensemble ou uma orquestra improvisando, desta maneira, uma composição em tempo real . O conductor/improvisador/maestro expressa-se através de gestos; os músicos respondem através de sons. Morris foi dando corpo a um vocabulário próprio localizado, como nos disse, entre a anotação musical e a improvisação que apelidou de Conduction.




Na conversa que tivemos com ele, Butch Morris explicou-nos um pouco como é que este processo criativo foi crescendo e alargando-se a outras comunidades musicais para além do jazz:


“I started doing this in improvised music community only. And then I realized: other people - classic musicians - make a leaving out of interpreting symbolism. That´s what they do: read music, basically. Or they do whatever a composer tells them to do. So, if they can read frozen symbolism, which is notation, maybe they can read in real time. And what I really discovered is that they can, very, very well.
Are they improvisers? No. But this not necessarily a music for only improvisers. it´s for people who want to interpret symbolic information.”


Nos últimos 20 anos, Butch divulgou este seu método por mais de vinte países e experimentou-o em diferentes formatos: orquestras sinfónicas, grupos de música tradicional japonesa, bandas de jazz, ensembles de free improvisation, ensembles de músicos de diferentes áreas musicais, com música electrónica, etc. Segundo nos disse, um dos projectos que tem agendados, vai-se realizar no Camboja, com instrumentos tradicionais dessa região.


“I think I´m working in an area where I can incorporate anybody who wants to contribute. You don´t have to have a background in improvisation, you don´t have to have a background in classical music… all you have to do is to be proficient on your instrument. it doesn´t mean you have to be a virtuoso on the violin, it doesn´t mean you have to have played with Miles Davis, it doesn´t mean you have to have played with anybody! You just have to know your tools very well. And if you can contribute to this, if you can turn on your instrument and turn your instrument off, and know the difference between high and low, loud and soft, you can participate.”


O método de Morris, ao criar uma aproximação entre o compositor-improvisador e o músico, obriga a redefenir os papeis mais clássicos do compositor, intérprete e maestro.


“I´m not destroying anything, I am reconstructing something. I´m reconstructing something I consider was a bad idea. And what was a bad idea was for people involved in so called free music and free improvisation, when they started defining their work, which excluded people. I didn´t like that. They wanna be exclusive, that´s fine with me. I don´t want to be exclusive, I want to be inclusive.”



Fotos: