CAPA DA SEMANA: IMIGRAÇÃO EM ATENAS #athens #immigration




Uma crise económica nos países desenvolvidos representa o fim da linha para os seus imigrantes. 


Em Atenas, depois do boom construtivo dos Jogos Olímpicos de 2004 e com o resgate financeiro, o fim da linha para os imigrantes consiste no desemprego, deportação, detenções aleatórias, agressões e morte. Esta ordem de destinos é especialmente agravada no caso dos imigrantes africanos, uma novidade para a sociedade grega contemporânea.   

É difícil comparar fins de linha. Cada sociedade tem a sua história, o que deve induzir responsabilidades diferenciadas. Após o resgate financeiro Portugal adoptou uma nova lei da imigração que permite deportar cidadãos não nacionais condenados pela justiça a um ano de pena (mesmo que suspensa) ou, a detenção preventiva de cidadãos estrangeiros suspeitos de um crime futuro.

Em Atenas, a narrativa dos imigrantes é outra, e não esconde a desilusão:


"Athens is no different from Lagos - Nigeria (em direitos e procedimentos policiais), so why bother get in here?"

"They don't deserve to be in the European Union"

"Being an immigrant here is a real shit"

Com a possibilidade de serem abordados pela polícia para identificações aleatórias, procedimento que pode incluir uma estadia diária na polícia de estrangeiros; o quotidiano dos imigrantes é apenas aligeirado no bairro de Exarchia (Exarcheia/ Εξάρχεια), onde a polícia raramente entra e há espaço para o levantamento de esquemas solidários alternativos. Na Tsamadou 13-15 encontramos um Centro Social de Imigrantes.





O senegalês Babakar Ndiaye era um dos muitos imigrantes que utilizava o lado informal do Flea Market (feira da ladra) em  Monastiraki (Μοναστηράκι) como forma de subsistência.

Os imigrantes africanos, das balcãs e asiáticos que utilizam a feira informal ao lado da estação de Thisseio, estão sempre atentos às investidas da polícia municipal, que opta por dois procedimentos: multar os feirantes ou apreender o material à venda. Foi para evitar esta segunda opção, a mais onerosa para os vendedores, que Babakar fugiu da Polícia Municipal no dia 1 de Fevereiro. A perseguição terminou com o senegalês colhido por um comboio na estação de Thisseio, com testemunhas a afirmarem a culpa da polícia na queda de Babakar para os carris.


"The train will end its course at Omonoia station due to an obstacle on the tracks"

A morte de Babakar às mãos da polícia e de Sahshad Lukman pelos fascisctas, incitou jornadas de solidariedade por toda  a Grécia. 

Essas mobilizações também parecem reflectir a ausência de cosmopolitismo na sociedade grega, de um lado as manifestações dos imigrantes, do outro os colectivos anti-autoritários tradicionais de Atenas.