O MAPA NÃO É DO PAÍS II: CIDADE, GENTRIFICAÇÃO, TURISMO, foco sobre #Lisboa


Dia 18 e dia 21 de Dezembro
inserido na programação de DEMIMONDE na Boavista
Galeria da Boavista , Rua da Boavista nº 50, Cais do Sodré, Lisboa
dia 18, das 17h às 20h
dia 21, das 16h às 18h

Na quarta  e última semana de atividades do DEMIMONDE NA BOAVISTA os Jogos Sem Fronteirasfazem uma nova edição do ciclo O MAPA NÃO É O DO PAÍS e desta vez o mapa que abordam é o da cidade de Lisboa, não para o tratarem de forma bairrista ou identitária, mas para o re-situarem na geografia global, que lhe dita o destino, e na geografia local, onde as nossas vidas acontecem.

Numa altura em que quarteirões inteiros da baixa pombalina estão a ser esvaziados para darem lugar a hotéis, dezenas de lojas históricas se vêm obrigadas a fechar, e espaços anteriormente considerados públicos passam a ser geridos por privados parece essencial escutar a cidade, perceber as suas alterações e o que as motiva. Agora que o porto de cruzeiros despeja diariamente milhares de turistas na cidade, a lei das rendas altera sistematicamente a demografia de alguns bairros, e muitos dos habitantes vêm o “aluguer de curta duração” como uma solução financeira, é necessário olhar atentamente para aquilo em que a cidade se está a tornar.

Se no ano passado em O MAPA NÃO É O DO PAÍS o mote era o de “se abordar o território da crise e dos seus protestos como sendo global, que é, e não como sendo nacional, que não é, conhecendo o que se passa noutros sítios para podermos agir juntos, reagir juntos, e imaginar uma resistência possível em conjunto” este ano o desafio é da escuta e o da partilha: tentar compreender o que está a acontecer à cidade de Lisboa para juntos podermos reagir. Dizíamos o ano passado:

Se pensarmos que O MAPA NÃO É O DO PAÍS os discursos de que ‘Portugal não será a próxima Grécia’ revelam-se no que são: uma forma de isolar e de meter medo, de impedir com que por toda a Europa haja protestos. Trata-se de fazer da Grécia uma excepção absoluta, uma espécie de mau exemplo que ninguém quer seguir, embora em toda a parte bens e serviços essenciais estejam a ser privatizados.
Por isso – por não querer embarcar nesses discursos, por entender o território (das mercadorias, das ideias, da informação e das pessoas) como alargado – O MAPA NÃO É O DO PAÍS tem mais a ver com colaboração do que com solidariedade apenas: colaboração europeia, colaboração global, construir colaboração. E tem a ver com conhecer porque sem conhecer não há colaboração possível.”

Este ano a situação mantém-se, agravada agora por mais um ano de medidas de austeridade, pelo que o mote também se mantém. É que Lisboa está a mudar a uma velocidade de cruzeiro e muitas vezes a informação sobre o que se passa chega quando as mudanças já estão em curso. 

Em O MAPA NÃO É O DO PAÍS II  trata-se, desta feita, de olhar para o que, localmente, a nível da cidade, está a ser vendido, privatizado ou sujeito a alterações e atentar às suas possíveis consequências a curto, médio e longo prazo.
18 de DEZEMBRO, quarta-feira
17h LANÇAMENTO DE LIVRO  HETEROTOPOLIS, projecto associado de CLOSE/CLOSER Trienal de Arquitectura de Lisboa: conversa em torno do projecto e lançamento do livro com Marie-Pier Bourcher (SenseLab) M.

17.30h: CONVERSA com Ana Estevens e Sofia Neuparth
Lisboa, centro da cidade, centro comercial: Baixa Pombalina goes Algarve?
Será que conseguimos mesmo achar que chega passar de raspão num bairro, ouvir as banalidades que qualquer pessoa diz, ler dois ou três livros que se debruçam sobre esta ou aquela característica, anotar linhas gastas e conceber um projecto? E quando a coisa é mais complexa? Quando há mesmo um tempo de fundo dedicado à concepção de um projecto-cidade, será que perseguir um objectivo estritamente baseado na produção e no lucro, transformar as cidades em atractivos turísticos, massificar, homogeneizar e limpar não é uma desconsideração de estar vivo? Como se sustenta um discurso de desenvolvimento político e económico que se constrói confundindo vida com sobrevida?
Ana Estevens, Sofia Neuparth e Margarida Agostinho
in "Querido, mudei a cidade!", Le Monde Diplomatique – versão portuguesa, Dezembro, 2012.
  
Bibliografia para discussão:
HOLMES, Brian, Mega-Gentrification, disponível aqui
PASQUINELLI, Mateo, Animal Spirits disponível aqui

18.30: CONVERSA  com António Brito Guterres (StressFM/ Transições Urbanas)
Grande Lisboa, periferia da periferia: fora da cidade, fora da cidadania?

21 de DEZEMBRO, sábado
16.10h desbarataTAROT: mesa de trabalho
Tarot das Casas ou Tarot de Lisboa é um baralho que desbaratou posto em circulação para que se possam lançar outras cartas. Partindo de um convite feito a vários artistas para trazerem imagens e histórias sobre cidade, turismo, precarização e mega-gentrificação, pretende-se aqui reunir uma colecção de figuras para com elas se poder dar conta do que se está a passar em Lisboa fora de Lisboa ou mesmo fora de Portugal.
Em desbarataTAROT mesa de trabalho a ideia é visitar cada uma das imagens trazidas pelos artistas convidados e ouvir a história que contam, equacionando a sua transformação em carta de baralho.

+info:
Site: www.demimonde.weebly.com
Facebook: www.facebook.com/demimondenaboavista
Onde fica: autocarros 727, 706, 732, 728 e metro com saída na estação do Cais do Sodré. A Galeria da Boavista fica perto do Mercado da Ribeira, Largo de São Paulo, do Conde Barão, da Avenida Dom Carlos I.
Morada: Rua da Boavista, nº 50, Lisboa.