AJINAI ||| ENTREVISTA





Formada em 2009, Ajinai é já uma das mais estabelecidas bandas na cena musical independente de Pequim. Liderada por Hugejiletu, originário da Mongólia Interior, e composta por músicos vindos de várias zonas da China, a banda editou o primeiro álbum em 2011 e realizou entretanto várias digressões na ásia e duas tours no norte da europa. No passado sábado a Stress.fm esteve no seu concerto em Pequim, onde o grupo apresentou algum do novo material que está a gravar para o novo disco, com lançamento planeado para abril.  Antes do concerto falámos com Hugejiletu, numa entrevista que se realizou em mandarim. Segue-se uma tradução escrita desta conversa, que se pode ler acompanhando o som.


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Apresenta-nos os Ajinai.

O meu grupo chama-se Ajinai, tocamos um novo tipo de world music que junta música tradicional mongol com rock e outras coisas modernas. O grupo tem quatro pessoas, temos baixo, guitarra, bateria, o Matouqin mongol e tocamos algumas antigas melodias mongóis.

Até agora, já estiveram na Europa algumas vezes, certo?

Fizemos duas tours na Europa, uma no ano passado e outra há dois anos.

Onde estiveram?

Foram sempre tours por países do norte da europa, Dinamarca, Suécia, por aí.

É diferente tocar na China e na Europa?

Actulmente na China, no verão, há cada vez mais festivais, mas antes quase não existiam. Na Europa, no verão, há muitíssimos festivais e concertos, toda a gente está muito descontraída, parece que meteram todos férias para vir curtir. Aqui na China só agora começam a haver este tipo de ambientes. Por isso acho que o público na Europa está mais descontraído, parece que se diverte mais… Talvez seja esta a diferença. No entanto, como aqui na China há cada vez mais festivais, penso que nos próximos cinco ou seis anos o ambiente nos concertos vai melhorar e o pessoal vai estar mais descontraído.

O público europeu reage de maneira diferente?

Penso que a reacção talvez seja um pouco melhor, porque na China há muita gente para quem entender as letras das músicas é o mais importante. Quando não as entendem… Não vêm aos concertos para curtir os ritmos e melodias… Mas também começam a aparecer muitos jovens que gostam de vir sentir o ambiente dos concertos ao vivo, isso também está a melhorar. Parece-me que no estrangeiro o público vem curtir vários tipos de música com uma atitude mais livre e descontraída, acho que aqui ainda se nota uma diferença.

As vossas letras são em mongol?

Sim, cantamos em mongol.

E como reagem os chineses a isso?

Varia, há pessoal que apesar de não entender as letras curte o feeling das estepes, liberdade, os cavalos, este tipo de cenas. Mas também há gente que tem aquela onda: não entendo as letras então não vou ouvir a música…


Quantos mongóis tem a banda agora?

Somos dois mongóis, da mongólia interior. Há também um músico de Xinjiang e outro de Shandong. Somos todos do norte da China, Xinjiang fica no extremo noroeste, Shandong fica a nordeste, e a Mongólia Interior fica no centro da zona norte, somos todos do norte da China. Mas, no fundo, é porque amamos a música que estamos juntos.

Porque decidiram misturar música tradicional mongol com rock?

Não foi uma coisa intencional, simplesmente foi acontecendo. Talvez porque precisemos cada vez mais deste tipo de coisas. O rock e a música moderna têm muita força, têm os tons desta época. Precisamos de ter as coisas da nossa época junto com as coisas tradicionais, para que a música tradicional possa ter um efeito novo e ainda melhor.

Na Mongólia Interior existem muitas bandas deste tipo?

Começam a aparecer, conheço umas quatro…

Eu conheço algumas, mas são todas de músicos que vivem em Pequim…

Na Mongólia Interior também existem.

Podes dar exemplos?

Andan, Ayinqin, há também uma que se chama Nomads.

Existe uma relação com os músicos da República da Mongólia, pessoal que vai lá tocar, bandas de lá que vêm aqui?

Sim, antes era sempre assim, havia essa relação.

E agora?

Agora também existe. Antes era uma cena organizada pelas pessoas, eu convidava-te para vires à minha terra, depois tu convidavas-me, essa onda. Agora as coisas são sobretudo organizadas pelos governos, o que também é fixe…

Os jovens da Mongólia Interior conhecem bem a música da República da Mongólia?

Sim, conhecem.



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