INJUSTICE #DOCUMENTARY + JANTAR BENEFIT | COMITÉ CONTRA CONTROLO E REPRESSÃO


This is the testimony of the families of those people, almost entirely black men from South and East London, who died in police custody in the 90s. As the film continues, a repeat- pattern modus operandi emerges. A twitchy, uncertain police presence on the street; a mysterious death in custody, then the closing of ranks.

Peter Bradshow in The Guardian

Próximo Sábado no Regueirão dos Anjos 69 depois do jantar será visionado o documentário Injustice, de Ken Fero e Tariq Mehmood. Lançado em 2001, Injustice conta a história das famílias que procuram resposta para a morte dos seus "entes queridos" sob custódia policial.

Durante 5 anos de processo investigativo documental, os realizadores contabilizaram mais de 1000 mortes sob custódia policial no Reino Unido no período 1969-1999. Nenhum polícia foi alguma vez condenado por tais incidências. O documentário acompanha as famílias na luta por uma justiça cega e igual para todos.

O documentário teve várias restrições no seu visionamento público e até hoje todos os canais de televisão em UK recusaram-se em emiti-lo.


O jantar benefit e visionamento são da responsabilidade do Comité Contra o Controlo e Repressão, segue descritivo:

As medidas de austeridade aplicadas pelo Governo nos últimos dois anos suscitaram o reacender dos conflitos sociais e a multiplicação de manifestações, recolocando a rua no centro da actualidade política e, com ela, a PSP e as instâncias judicias enquanto entidades responsáveis, em momentos complementares, pela manutenção da ordem pública. O encontro destes dois mundos não sucedeu sem atritos. A emergência de novos tipos de reportório de acção política, para lá dos trâmites legais, embateu com uma força policial que não poucas vezes assume o papel de guarda pretoriana do poder e de instrumento de repressão política. 

Ainda que tal raramente surja na opinião pública, a PSP é com recorrência censurada por organismos internacionais pelo uso de uma violência injustificada e pela incompetência no exercício das suas funções. Todos os anos se multiplicam situações aparentemente banais e de rotina, como operações stop e resolução de conflitos, que terminam com jovens mortos sem ninguém saber muito bem como ou porquê. Há ainda diversos indícios e denúncias de que a actuação da polícia varia consoante o perfil social e étnico das populações em causa, intervindo quotidianamente em zonas consideradas «problemáticas» ou «perigosas» com níveis de violência e intimidação que não aplica noutros lugares. 

O confronto com manifestações e outro tipo de protestos serviu como base para a reformulação das práticas policiais. Tal como qualquer empresa, as autoridades policiais visam dotar-se de novas tecnologias e formas de gestão, por um lado, mais eficazes e, por outro, mais «humanas». As recentes condenações de agentes policiais traduzem, precisamente, a reconstrução de uma força policial que será tanto mais eficaz quanto menos arbitrária se apresentar. São diversos os exemplos da envolvência do aparelho repressivo de estado (polícia e militares) num sistema mais vasto de controlo social, que inclui entidades públicas (ministério público e tribunais) e privadas (empresas de segurança): a expansão da videovigilância a várias cidades do país, a criação de bases dados de militantes políticos e consequente recurso a processos judiciais, ou a aquisição de drones. Não se trata de abandonar o recurso ao cassetete. Mas sim que, antes deste, sejam mobilizados todo um conjunto de dispositivos preventivos que induzam no indivíduo a consciência dos altos riscos de uma determinado ato. Em suma, uma estratégia mais baseada na paranóia do que na porrada. 

O objetivo deste observatório é realizar uma análise depurada deste processo. Tal passa não só pela recolha de textos, artigos e imagens mas igualmente pelo acompanhamento de processos judiciais em curso contra camaradas nossos.