EVERY DAY IS #ASHURA & AND EVERY PLACE IS #KARBALA. HOW IT ALL BEGAN


If there was a single moment it all began, it was that of Muhammad´s death. Even the Prophet was mortal. That was the problem. It was as though nobody had considered this possibility that he might die, not even Muhammad himself.
Lesley Hazleton in After the Prophet
1º parágrafo

A meio da manhã de 4 de Março de 2004, Karbala enchia-se de peregrinos xiitas provenientes de vários locais do Iraque, numa viagem que para muitos realizou-se a pé. Ritualizava-se por Hussein - o Príncipe dos Mártires, neto de Maomé.

4 de Março nesta redacção, equivale ao dez de Muharram no calendário muçulmano: o dia de Ashura; feriado até em muitos países seculares mas de proibitiva celebração nas décadas de governação de Saddam Hussein, líder sunita. A celebração em curso naquele dia dobrava de tom, era a sua primeira manifestação pública em dezenas de anos.

A meio dessa manhã, em Karbala, vários carros-bomba explodiram, lançaram-se granadas e morteiros, mais de cem peregrinos xiitas faleciam num ataque reivindicado por grupos filiados com a Al-Qaeda (sunitas), um acontecimento que determinou o início da guerra sectária no Iraque pós-invasão.

Se os massacres de Ashura descritos valem por si, o seu planeamento corresponde a uma analogia histórica crucial: foi exactamente nesse dia em 680 em Karbala (Karab - destruição, devastação; Bala - turbulento) que os descendentes homens de Maomé foram massacrados por defensores do califado (Sunitas), dando início à guerra civil do Islão e ao sisma xiita-sunita.